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Meu filho é um milagre: Uma história de fé e oração

Este artigo foi escrito por Ellen Erkert de Melo.

Uma das maiores bênçãos da minha vida foi ter nascido no evangelho restaurado de Jesus Cristo e crescido em um lar onde aprendi a amar o Salvador e Seus ensinamentos. Ainda jovem, tive o privilégio de servir uma missão de tempo integral na Missão Brasil Recife, entre 2003 e 2004. Foi um período que fortaleceu profundamente meu testemunho.

Depois de retornar da missão, conheci meu marido em um baile da Igreja. Ele também havia nascido no evangelho e servido uma missão de tempo integral, na Missão Brasil Porto Alegre Sul, entre 2002 e 2004. Nossa amizade cresceu rapidamente e, após apenas oito meses de namoro, nos casamos e fomos selados no Templo de São Paulo. Foi um dos dias mais felizes da nossa vida.





Cerca de oito meses depois, recebemos outra notícia maravilhosa: estávamos esperando nosso primeiro filho. Descobrimos que seria um menino, e aquele sempre foi um grande sonho meu. A gravidez transcorria bem, até que, no sétimo mês, surgiram complicações inesperadas.

Descobri que estava com bolsa rota. Sem perceber, o líquido amniótico havia sido perdido, e nosso bebê já estava praticamente sem líquido para protegê-lo. Foi necessária uma cesariana de emergência. Assim nasceu o nosso pequeno Lucas.

Sem vagas na UTI

Embora fosse um bebê grande para um prematuro, pesando aproximadamente três quilos, seus pulmões ainda não estavam preparados para respirar sozinhos. Logo na primeira noite enfrentamos um enorme desafio: não havia vaga na UTI neonatal.

Lucas precisou permanecer em um quarto comum, recebendo apenas um suporte simples de oxigênio, sem os aparelhos de que tanto precisava. Naquela noite, o médico nos disse que ele provavelmente não sobreviveria.

Foi uma das noites mais difíceis da nossa vida. Meu marido e eu passamos a madrugada inteira ajoelhados, orando ao Senhor e depositando Nele toda a nossa esperança.

Na manhã seguinte, por volta das dez horas, surgiu uma vaga na UTI neonatal. Lucas foi imediatamente transferido, entubado e iniciou o tratamento intensivo. Mesmo assim, seu estado ainda era muito grave. Ver aquele peitinho fazendo tanto esforço para respirar era uma cena que jamais esquecerei.

Recebi alta do hospital, mas todos os dias passava o dia inteiro ao lado dele. A cada três horas eu ordenhava meu leite para que ele pudesse ser alimentado por uma sonda. Era a única forma de cuidar dele naquele momento, e eu fazia isso com todo o amor de uma mãe.

A UTI e uma bênção do sacerdócio

Alguns dias depois, quando seu pulmão já apresentava melhora, aconteceu outro grande desafio. O hospital estava passando por uma reforma, e todos os bebês da UTI contraíram uma grave infecção hospitalar. Naquele período havia apenas cinco bebês internados.

Antes dessa infecção, meu marido havia dado uma bênção do sacerdócio ao Lucas. Como ainda não podíamos segurá-lo no colo, ele colocou delicadamente dois dedos em seu pequeno pé e, naquela bênção, fez uma promessa ao Senhor: se Lucas fosse preservado, nós o criaríamos no evangelho e o prepararíamos para servir uma missão de tempo integral.

Os dias seguintes foram muito difíceis. Cada manhã, quando chegávamos ao hospital, recebíamos a notícia de que mais um bebê havia falecido. Um a um, todos os outros bebês da UTI partiram.

Mas o Senhor ouviu nossas orações. Lucas foi o único bebê que sobreviveu.

Depois que seu pulmão se recuperou, pedi que ele fosse transferido para um quarto particular, onde pude permanecer ao seu lado enquanto terminava o tratamento da infecção. Ao todo, ele ficou quarenta dias internado.

Quando finalmente recebemos alta, ainda havia muitas preocupações. Os médicos disseram que, devido à grande quantidade de antibióticos utilizados, ele poderia apresentar sequelas importantes, como perda auditiva ou dificuldades no desenvolvimento.

Um milagre diante dos nossos olhos

Nos primeiros anos, realmente houve alguns atrasos. Lucas demorou um pouco mais para sustentar a cabeça, andar e falar. Fizemos todos os acompanhamentos médicos e terapias necessários, sempre confiando no Senhor.

Com o passar do tempo, vimos outro milagre acontecer diante dos nossos olhos.

Lucas cresceu saudável. Nunca apresentou perda auditiva, desenvolveu-se plenamente e sempre foi um excelente aluno, destacando-se por sua inteligência e dedicação.

Hoje ele tem 19 anos e está servindo uma missão de tempo integral no México. É um jovem forte, digno, espiritual, dedicado e feliz. Ao vê-lo vestindo a plaqueta de missionário, lembro-me daquela promessa feita ao lado de uma incubadora e percebo que o Senhor realmente cumpre Suas promessas.

Essa experiência ensinou nossa família que os milagres existem. Eles nem sempre acontecem da maneira ou no tempo que esperamos, mas o Senhor conhece cada filho Seu, ouve nossas orações e age de acordo com Sua perfeita vontade.

Sempre que olho para meu filho, lembro-me de que ele é um verdadeiro milagre. Sua vida é um testemunho vivo do amor de Deus, do poder do sacerdócio e da força da oração.

Serei eternamente grata porque o Senhor preservou a vida do nosso Lucas. E, todas as vezes que o vejo servindo ao Salvador, meu coração se enche de gratidão por saber que aquela promessa feita tantos anos atrás foi honrada e cumprida.

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