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O que Maria mãe de Jesus ensina sobre maternidade

Ela era jovem, simples, vinha de uma aldeia que ninguém levava muito a sério. E ainda assim, Deus a escolheu para a missão mais sagrada já confiada a uma mulher.

Toda vez que lemos a história de Maria, mãe de Jesus, é fácil separá-la como se ela fosse tão especial, tão diferente, que não houvesse muito com que nos identificar. Mas quando olhamos de perto para o que as escrituras contam sobre ela, encontramos uma mulher de carne e osso, com dúvidas reais, em circunstâncias difíceis, fazendo uma escolha que mudaria o mundo.

E essa escolha tem muito a dizer para qualquer mãe hoje.

Maria morava em Nazaré, uma aldeia tão pequena e sem importância que, mais tarde, alguém perguntaria com desdém: “Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?” (João 1:46). Os arqueólogos estimam que o lugar tinha entre 400 e 500 habitantes, onde as casas eram simples e a vida era desacelerada.

Ali vivia Maria. Provavelmente tecendo, cozinhando, buscando água e trabalhando no campo como todas as outras mulheres da aldeia.Não há nada nos registros que sugira que ela era diferente por fora. Mas havia algo em seu interior que Deus via com clareza: um espírito nobre, humilde e disposto. O élder Bruce R. McConkie escreveu que:

“O Pai escolheria o mais grandioso espírito feminino para ser a mãe de Seu Filho.” 

Aqui já há uma lição para toda mãe: Deus não escolhe pelo coração. Não importam a sua origem ou os seus bens; para o Seu Pai Celestial, toda mãe é vista pela voz do seu espírito.

Maria mãe de Jesus com seu manto na cabeça pensativa olhando para o horizonte.

Uma mulher comum em um chamado extraordinário

Quando o anjo Gabriel apareceu e anunciou que ela daria à luz o Filho de Deus, Maria perguntou: “Como se fará isso, pois não conheço homem algum?”.

Essa pergunta é parecida com a de Zacarias, pai de João Batista, quando recebeu uma promessa semelhante. Mas há uma diferença importante entre eles: Zacarias duvidou e Maria quis entender. Ela queria saber como participaria disso.

É a diferença entre o ceticismo e a fé em ação, e é uma distinção que toda mãe conhece bem. Há momentos em que a vida coloca diante de nós algo imenso, um filho com necessidades especiais, um diagnóstico, uma mudança inesperada, uma noite que parece não acabar  e a pergunta que fazemos não é “Será que Deus pode?”, mas sim: “Como eu vou conseguir? Como vou dar conta disso?”

Essas perguntas genuínas mostram o começo de uma conversa entre Deus e uma mãe. 

Maria mãe de Jesus sentada em uma escadaria.

“Cumpra-se em mim segundo a tua palavra”

A resposta de Maria ao anjo é uma das frases mais intensas de toda a Bíblia:

“Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra.”

Sua resposta foi simples, direta e sem drama. Ela aceitou com fé um mandamento que nem sabia como conseguiria cumprir.

Maria não tinha todas as respostas. Não sabia como José reagiria. Não sabia o que a aldeia diria. E não sabia o que ser mãe do Messias a custaria. Ela aceitou carregando a incerteza e seguiu em frente.

Esse momento é o espelho do que o próprio Jesus diria anos depois, no Getsêmani:

“Não se faça a minha vontade, senão a tua.” 

Mãe e Filho aprenderam, cada um à sua maneira, que render a vontade a Deus é a decisão mais corajosa que existe.

Toda mãe sabe que a maternidade exige uma rendição parecida. Você planeja, mas a vida dos seus filhos não pertence a você. Você cuida, mas não controla e você ama profundamente alguém que um dia vai partir para a escola, para a vida, para o mundo. Ser mãe é, no fundo, uma entrega contínua.

Maria mãe de Jesus com sua prima Isabel grávida de João Batista.

Maria não estava sozinha e você também não precisa estar

Depois que o anjo foi embora, Maria foi até Isabel. Não ficou parada esperando que as coisas se resolvessem, ela foi em busca de alguém que entendesse.

E quando chegou, sua prima, cheia do Espírito Santo, reconheceu imediatamente o que estava acontecendo: 

“Bendita és tu entre as mulheres, e bendito, o fruto do teu ventre.” 

Ali estava uma mulher mais velha, vivendo seu próprio milagre em sua gravidez, acolhendo uma jovem em um momento de vulnerabilidade e grandeza ao mesmo tempo.

As escrituras dizem que Maria ficou com Isabel por cerca de três meses. Três meses de companhia, de conversa, de apoio mútuo. E ao sair de lá, ela estava “mais preparada para cumprir seu chamado divino.”

Isso fala muito sobre como Deus cuida das mães. Ele não deixa ninguém sozinha para descobrir tudo no escuro. Sempre temos Isabéis no caminho, amigas mais velhas, mulheres do nosso convívio ou da comunidade, mães que já passaram pelo mesmo. 

Para o Senhor não existem coincidências, mas desígnios divinos; as nossas Isabéis são exatamente a prova de que nosso Pai Celestial conhece Suas filhas e cuida de cada uma de nós.

Maria com o menino Jesus nos braços

A gratidão de Maria precede a compreensão

Diante de tudo o que ainda estava por vir, e que ela ainda não entendia, Maria cantou um salmo de louvor:

“A minha alma engrandece ao Senhor,
E o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador;
Porque atentou para a humildade de sua serva; pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada;
Porque me fez grandes coisas o Poderoso; e santo é o seu nome.”

Ela ainda não sabia de toda a dor que viria. Simeão ainda profetizaria que uma espada transpassaria sua alma. Ela ainda fugiria com o bebê para o Egito, criaria um filho com uma missão que ela aprenderia a entender aos poucos, e um dia estaria de pé ao lado da cruz vendo o que nenhuma mãe deveria ver.

Mas antes de tudo isso, ela escolheu agradecer como uma maneira de demonstrar a sua fé. Maria sabia que Deus estava agindo, mesmo sem ver o quadro completo. E essa confiança em antecipação ao que aconteceria é uma das formas mais puras de fé que conhecemos.

Mãe segura um bebê no colo

O que a maternidade de Maria ensina à maternidade de todas

Há um fio condutor em tudo o que as escrituras revelam sobre Maria. Ela não foi uma mãe perfeita no sentido de ter tido uma vida fácil. Foi perfeita na disposição, sempre aberta, sempre fiel e sempre presente.

Ela estava lá quando Jesus tinha 12 anos e ficou para trás no templo. Estava lá nas Bodas de Caná, quando pediu ao filho o primeiro milagre. Estava lá na crucificação, quando quase todos fugiram. E estava com os apóstolos depois da ressurreição, continuando fiel até o fim.

Ser mãe não é um papel que tem horário ou que se encerra quando os filhos crescem. É uma presença que se adapta, que cresce junto, que fica.

E talvez o maior presente que Maria deixa para cada mãe hoje seja este: você não precisa entender tudo para dizer sim. Não precisa ter o roteiro completo para confiar. Não precisa ser a mãe perfeita que sempre sabe de tudo e tem a solução para todos os problemas. Você só precisa de um coração disposto.

“Porque nada será impossível para Deus.” (Lucas 1:37)

E essa promessa foi feita para Maria e também foi feita para você, mãe.

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